Obá é agora uma casa tailandesa

Obá é agora uma casa tailandesa

Obá é agora uma casa tailandesa

Após mudança de comando, o restaurante dos Jardins deixa para trás essência mexicana e foca na culinária thai

04 abril 2018 | 19:25por Patrícia Ferraz
É difícil saber por que São Paulo tem tão poucos restaurantes de cozinha tailandesa – o pequeno número de imigrantes tailandeses por aqui é apenas uma das explicações. Mas o fato é que, além do Mestiço, que resiste bravamente desde 1997, a rica e complexa cozinha da Tailândia, que faz tanto sucesso pelo mundo, é coisa rara por aqui.A boa notícia é que, a partir da próxima segunda-feira (9), o Obá – que mudou de donos em dezembro – terá foco na culinária thai. Quem assina o cardápio e comanda a cozinha é um brasileiro com grande experiência no assunto: Maurício Santi viveu cinco anos na Tailândia, mas há 17 anos está às voltas com pimentas, limão kaffir, manjericão e capim-santo tailandês.

Peixe com curry e folha de bananeira Foto: Henrique Peron

O chef diz que não fará concessões. Não vai reduzir a pimenta dos pratos nem fazer interpretações de receitas. Quer manter a autenticidade.

Ficou com água na boca?

O cardápio tem boa oferta de porções e aperitivos (para comer com as mãos ou de colher, aos costumes tailandeses) e muitos pratos para compartilhar. A sopa aromática é uma ótima pedida para começar. Mistura de leite de coco e caldo de frango, pedacinhos de frango, lascas de cebola roxa e uma combinação delicada de temperos e especiarias, ela é servida em temperatura ambiente. Entre as saladas, a de ovo pochê (feito no óleo) com folhas e paçoca de porco é uma surpresa: não se vê o ovo, que está coberto pelas folhas e pela carne de porco marinada, seca e pilada. Mas na primeira colherada (eis a colher, de novo), a gema do ovo se rompe, escorre e se mistura com o tempero da salada.

Maurício Santi é especialista em curries – ele fez inclusive uma matéria de capa sobre o assunto para o Paladar há alguns anos. E colocou no cardápio um peixe ao curry, um dos destaques da seleção de pratos. É uma posta alta (pode ser pescada amarela, como a da foto, ou qualquer outro pescado fresco do dia), coberta com uma camada de pasta de curry, folhas de manjericão e lascas de pimenta vermelha fresca. O peixe é envolvido em folha de bananeira, com os temperos, antes de ser assado. Os temperos se misturam no cozimento e formam um creme perfumado, que se revela na abertura da folha.

A costela bovina é braseada por cinco horas, depois de marinada em molho de peixe com açúcar de palmeira (uma pasta) e chega à mesa servida no próprio molho do cozimento, apimentado, com limão e um mix de ervas.Bochecha de porco com tamarindo

Bochecha de porco com tamarindo Foto: Henrique Peron

Quem não tem muita tolerância a pimenta não precisa se preocupar. Há pratos bem suaves e a equipe de salão, comandada pela uruguaia Camila Ciganda (ex-sommelier do Martín Fierro), está instruída a advertir os clientes sobre o grau de picância de todos os itens. Para beber, cervejas e uma seleção de vinhos focada em brancos e laranjas.

Quem estava acostumado a ir ao Obá para comer especialidades mexicanas não ficará completamente abandonado – o andar de cima da casa foi transformado num bar mexicano, com os mesmos tacos, guacamole e outros hits locais antigos.

No salão, além de um menu-executivo thai, o almoço durante a semana terá diariamente um PF brasileiro: moqueca, picadinho, entre outros clássicos do Obá.

Mauricio Santi, novo chef do Obá

Mauricio Santi, novo chef do Obá Foto: Henrique Peron

http://paladar.estadao.com.br/noticias/restaurante-e-bares,oba-e-agora-uma-casa-tailandesa,70002254569

Maré Alta – Festival de Iemanjá 2018

Maré Alta – Festival de Iemanjá 2018

Até o dia 4 de fevereiro, acontece no restaurante Obá, em São Paulo, o Festival de Iemanjá. O evento, que está em sua 13a edição, apresenta um cardápio especial, dedicado a orixá do candomblé e da umbanda, que é celebrada no dia 2 de fevereiro. Para homenagear o orixá caracterizado como mãe das águas e rainha do mar, os chef Mauricio Santi e Nonô sugerem pratos à base de peixes e frutos do mar. São receitas inspiradas nas culinárias brasileira, mexicana e tailandesa.

Maiores informações e menu acesse: https://goo.gl/NSmfuB

Organic Food Fest 2018

Organic Food Fest 2018
Festival reúne casas com receitas sustentáveis e livres de agrotóxicos a preços acessíveis

 

De 19 de janeiro e 4 de fevereiro de 2018, o Obá participa pela primeira vez do Organic Food Fest, seguindo a diretriz das demais casas do Grupo Antonietta, que procura trabalhar sempre com produtos frescos, de época, e produtos regionais e de pequenos produtores, Milton Freitas, que cuida da direção geral das casas começou a utilizar hortaliças e legumes orgânicos desde 2013 no Antonietta Cucina, e desde que assumiu as demais casas adotou a mesma politica, hoje a Cooperapas é o grande fornecedor do Grupo. Neste grande festival o foco é conscientizar sobre a alimentação saudável e o consumo sustentável a partir de ingredientes orgânicos. Os menus terão preço fixo de R$ 55 no almoço e R$ 88 no jantar, e estão disponíveis neste período em todas as casas do Grupo Antonietta: Antonietta Cucina, Jacarandá, Obá e Taka Daru.

Chef Mauricio Santi assume a cozinha do Obá

Chef Mauricio Santi assume a cozinha do Obá
Especialista em culinária tailandesa se associa a Milton Freitas e Alessandro Tagliari

Obá está de chef executivo novo. Não, isso não significa que o restaurante, vendido em dezembro por Hugo Delgado para o restaurateur Milton Freitas e seu parceiro de negócios, o sommelier Alessandro Tagliari, como você soube em primeira mão aqui no blog, passará por uma transformação radical, embora algumas mudanças estejam em curso. Vamos a elas.

Freitas acaba de se associar a Mauricio Abdalla Thomaz, cujo sobrenome de batismo informal tailandês é Santi (leia explicação no fim do post). O chef, que fez alguns festivais no próprio Obá e teve uma passagem meteórica pelo extinto Satay, também nos Jardins como o Obá, é a cabeça pensante da cozinha. No mais, tudo fogão continua igual no fogão.

“O Mauricio entrou com uma pequena participação no Obá. Embora ele seja o chef executivo, a cozinha permanecerá sob o comando do chef Nonô [Joseildo Vicente da Silva] e da equipe que já era da casa, mas o comando geral é do Maurício”, explica Freitas.

Ambiente colorido: pelo salão não circulam mais pratos italianos, banidos do menu (Divulgação/Divulgação)

O empresário também diz que o encantou Santi foi a disposição em montar o Thai Gastro Bar no andar de cima da casa mais o Obá na calçada para a venda todos os dias de especialidades tailandesas, com preço médio de 20 a 30 reais. “Estamos fazendo um deque na frente com mesinhas para os clientes comerem e a ‘barraca’ na lateral”, adianta.

O menu do Obá não permanecerá exatamente o mesmo. Como Freitas e sócios já são donos do Antonietta Cucina, em Higienópolis, e do Jacarandá, em Pinheiros, a culinária italiana será deixada de lado. “Ajustamos o cardápio para três culinárias: brasileira, mexicana e tailandesa”, explica.

A presença de Santi como executivo do fogão deve funcionar como um reforço na seleção dos ingredientes, incluindo produtos orgânicos e de pequenos produtores como Freitas conta fazer no Jacarandá. Claro, o cozinheiro dever aprimorar a montagem e a preparação dos pratos a partir de sua vivência em várias casas na Tailândia e outros países.

Para entender o repertório de Santi, paulista de Mogi das Cruzes hoje com 38 anos, é preciso acompanhar sua trajetória profissional, já que ele passou mais de uma década fora do país. “Morei no Havaí, Miami, Londres, Sydney, Bangcoc, cidades do Vietnã e Singapura. Sempre fui apaixonado pela gastronomia do Sudeste Asiático, e sempre tentei trabalhar em restaurantes asiáticos por onde passei, mas não foi fácil. Contratar um cozinheiro brasileiro em um restaurante tailandês se nesses lugares a comunidade thai é bem grande? Finalmente, consegui em Sydney no Sailors Thai, alta cozinha tradicional. Era o único não gringo na cozinha. Após três anos, recebi um nome Santi, que quer dizer paz em tailandês.”

Depois dessa primeira vitória, Santi conseguiu um estágio durante um ano com David Thompson,  chef e proprietáio do restaurante Nahm, aliás o melhor que este crítico visitou em Bangcoc anos atrás. Nesse período, o cozinheiro paulista chegou a aprender a falar tailandês. No ano passado, comandou o restaurante pop-up 80/20 na capital do país asiático e decidiu retornar a São Paulo. Com o currículo do novo titular do Obá, o cardápio deve ganhar mais autenticidade na faceta oriental.

Obá tem novos donos

Obá tem novos donos
Milton Freitas, dono do Antonietta Cucina, do Jacarandá, do Izakaya Taka Daru e do Raiz Bar lidera a compra do restaurante conhecido pelas cozinhas mexicana e tailandesas

Milton Freitas virou um comprador de restaurantes (leia mais sobre o empresário, clicando aqui). A nova investida do restaurateur fica nos Jardins. Junto com o parceiro Alessandro Tagliari, ele acaba de comprar o Obá. O restaurante variado de cozinhas brasileira, italiana, tailandesa e mexicana vem engordar o portfólio de negócios que inclui o italiano Antonietta Cucina, os também variados Jacarandá e Solo Cozinha & Bar e o boteco japonês Taka Daru. 

“Sempre quis ir para aquele pedaço dos Jardins”, enfatiza Freitas. “O Obá tem um projeto muito parecido com o Jacarandá. Quero fazer o bar no piso superior, alguma coisa parecida com o Raiz Bar que fizemos no Jacarandá Restaurante.

Um dos fundadores do Obá, o mexicano Hugo Delgado tem na ponta da língua o motivo da venda. “Estamos com o restaurante há doze anos. Três anos e meio atrás surgiu a [Taquería] La Sabrosa porque queríamos diversificar um pouco. Um restaurante autoral como o Obá é uma grande dificuldade se se quer viver disso. Tudo é mais artesanal, enquanto no Sabrosa tem uma linha de produção mais industrial, é mais fácil de expandir.”

Delgado também credita a premiação na mais recente edição VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER a razão de passar o Obá adiante. “Sentimos uma mudança muito grande na taquería depois de termos sido eleitos o bom e barato [de comidinhas]. É um modelo que está tendo mais êxito para a gente”. O empresário planeja em abrir uma segunda unidade. “Em 2018, vamos deixar o La Sabrosa melhor organizado para começarmos a expansão no início de 2019. Nosso sonho é ir para Pinheiros.”

Para Delgado e os sócios Carlos Tavares e Eduardo Mandel, a decisão da venda não foi fácil. “Amamos o Obá e conversamos com o Milton. Ficamos felizes porque o conceito vai continuar. No portfólio que ele está criando, o Obá faz muito sentido”, acredita.

Costela bovina thai: o cardápio segue sem alterações (Tadeu Brunelli/Divulgação)

Uma certeza sobre o Obá: não muda a equipe de cozinha. Permanecem por lá o chef Nonô, apelido do pernambucano Joseildo Vicente da Silva, que começou na faxina, o subchef Hernandes Bispo de Oliveira e os cozinheiros Antonio de Souza Pereira e Sebastião Bernardes da Rocha.

Delgado e os sócios permanecem à frente do negócio somente até este sábado (23). Quando reabrir depois de um recesso de dez dias no início de janeiro, o Obá estará sob a administração da dupla Freitas-Tagliari.