Chef Mauricio Santi assume a cozinha do Obá

Chef Mauricio Santi assume a cozinha do Obá
Especialista em culinária tailandesa se associa a Milton Freitas e Alessandro Tagliari

Obá está de chef executivo novo. Não, isso não significa que o restaurante, vendido em dezembro por Hugo Delgado para o restaurateur Milton Freitas e seu parceiro de negócios, o sommelier Alessandro Tagliari, como você soube em primeira mão aqui no blog, passará por uma transformação radical, embora algumas mudanças estejam em curso. Vamos a elas.

Freitas acaba de se associar a Mauricio Abdalla Thomaz, cujo sobrenome de batismo informal tailandês é Santi (leia explicação no fim do post). O chef, que fez alguns festivais no próprio Obá e teve uma passagem meteórica pelo extinto Satay, também nos Jardins como o Obá, é a cabeça pensante da cozinha. No mais, tudo fogão continua igual no fogão.

“O Mauricio entrou com uma pequena participação no Obá. Embora ele seja o chef executivo, a cozinha permanecerá sob o comando do chef Nonô [Joseildo Vicente da Silva] e da equipe que já era da casa, mas o comando geral é do Maurício”, explica Freitas.

Ambiente colorido: pelo salão não circulam mais pratos italianos, banidos do menu (Divulgação/Divulgação)

O empresário também diz que o encantou Santi foi a disposição em montar o Thai Gastro Bar no andar de cima da casa mais o Obá na calçada para a venda todos os dias de especialidades tailandesas, com preço médio de 20 a 30 reais. “Estamos fazendo um deque na frente com mesinhas para os clientes comerem e a ‘barraca’ na lateral”, adianta.

O menu do Obá não permanecerá exatamente o mesmo. Como Freitas e sócios já são donos do Antonietta Cucina, em Higienópolis, e do Jacarandá, em Pinheiros, a culinária italiana será deixada de lado. “Ajustamos o cardápio para três culinárias: brasileira, mexicana e tailandesa”, explica.

A presença de Santi como executivo do fogão deve funcionar como um reforço na seleção dos ingredientes, incluindo produtos orgânicos e de pequenos produtores como Freitas conta fazer no Jacarandá. Claro, o cozinheiro dever aprimorar a montagem e a preparação dos pratos a partir de sua vivência em várias casas na Tailândia e outros países.

Para entender o repertório de Santi, paulista de Mogi das Cruzes hoje com 38 anos, é preciso acompanhar sua trajetória profissional, já que ele passou mais de uma década fora do país. “Morei no Havaí, Miami, Londres, Sydney, Bangcoc, cidades do Vietnã e Singapura. Sempre fui apaixonado pela gastronomia do Sudeste Asiático, e sempre tentei trabalhar em restaurantes asiáticos por onde passei, mas não foi fácil. Contratar um cozinheiro brasileiro em um restaurante tailandês se nesses lugares a comunidade thai é bem grande? Finalmente, consegui em Sydney no Sailors Thai, alta cozinha tradicional. Era o único não gringo na cozinha. Após três anos, recebi um nome Santi, que quer dizer paz em tailandês.”

Depois dessa primeira vitória, Santi conseguiu um estágio durante um ano com David Thompson,  chef e proprietáio do restaurante Nahm, aliás o melhor que este crítico visitou em Bangcoc anos atrás. Nesse período, o cozinheiro paulista chegou a aprender a falar tailandês. No ano passado, comandou o restaurante pop-up 80/20 na capital do país asiático e decidiu retornar a São Paulo. Com o currículo do novo titular do Obá, o cardápio deve ganhar mais autenticidade na faceta oriental.

Obá tem novos donos

Obá tem novos donos
Milton Freitas, dono do Antonietta Cucina, do Jacarandá, do Izakaya Taka Daru e do Raiz Bar lidera a compra do restaurante conhecido pelas cozinhas mexicana e tailandesas

Milton Freitas virou um comprador de restaurantes (leia mais sobre o empresário, clicando aqui). A nova investida do restaurateur fica nos Jardins. Junto com o parceiro Alessandro Tagliari, ele acaba de comprar o Obá. O restaurante variado de cozinhas brasileira, italiana, tailandesa e mexicana vem engordar o portfólio de negócios que inclui o italiano Antonietta Cucina, os também variados Jacarandá e Solo Cozinha & Bar e o boteco japonês Taka Daru. 

“Sempre quis ir para aquele pedaço dos Jardins”, enfatiza Freitas. “O Obá tem um projeto muito parecido com o Jacarandá. Quero fazer o bar no piso superior, alguma coisa parecida com o Raiz Bar que fizemos no Jacarandá Restaurante.

Um dos fundadores do Obá, o mexicano Hugo Delgado tem na ponta da língua o motivo da venda. “Estamos com o restaurante há doze anos. Três anos e meio atrás surgiu a [Taquería] La Sabrosa porque queríamos diversificar um pouco. Um restaurante autoral como o Obá é uma grande dificuldade se se quer viver disso. Tudo é mais artesanal, enquanto no Sabrosa tem uma linha de produção mais industrial, é mais fácil de expandir.”

Delgado também credita a premiação na mais recente edição VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER a razão de passar o Obá adiante. “Sentimos uma mudança muito grande na taquería depois de termos sido eleitos o bom e barato [de comidinhas]. É um modelo que está tendo mais êxito para a gente”. O empresário planeja em abrir uma segunda unidade. “Em 2018, vamos deixar o La Sabrosa melhor organizado para começarmos a expansão no início de 2019. Nosso sonho é ir para Pinheiros.”

Para Delgado e os sócios Carlos Tavares e Eduardo Mandel, a decisão da venda não foi fácil. “Amamos o Obá e conversamos com o Milton. Ficamos felizes porque o conceito vai continuar. No portfólio que ele está criando, o Obá faz muito sentido”, acredita.

Costela bovina thai: o cardápio segue sem alterações (Tadeu Brunelli/Divulgação)

Uma certeza sobre o Obá: não muda a equipe de cozinha. Permanecem por lá o chef Nonô, apelido do pernambucano Joseildo Vicente da Silva, que começou na faxina, o subchef Hernandes Bispo de Oliveira e os cozinheiros Antonio de Souza Pereira e Sebastião Bernardes da Rocha.

Delgado e os sócios permanecem à frente do negócio somente até este sábado (23). Quando reabrir depois de um recesso de dez dias no início de janeiro, o Obá estará sob a administração da dupla Freitas-Tagliari.